Edição
47 - JANEIRO/FEVEIRO/MARÇO 2007![]()
CIDADANIA
A vida
pelas veias do corpo
Moradores da Maré
são convocados para a doação de sangue
Quando o assunto é salvar vidas, muitos acham que a única forma de fazê-lo é através da doação de órgãos. Um grande equívoco. Com uma simples doação de sangue, um cidadão pode ajudar até três pessoas, pois cada bolsa é dividida em hemácias, concentrado de plaquetas e plasma. No entanto, levando em conta que este ato é muito mais rápido que uma partida de futebol, poderíamos imaginar que a adesão a esta prática é muito grande. Errado. Ela contagia apenas 2% da população. E, assim, os bancos de sangue estão sempre operando no limite.
Na doação de sangue não existe discriminação. Todos os tipos sanguíneos (A, B, AB e O), e Rh (positivo e negativo) são aceitos. “É um exercício de cidadania que deveria fazer parte da rotina, virar um hábito”, comenta o assessor de comunicação do Hemorio, Marcos Araújo, de 37 anos. Ele lembra que o instituto é um pólo que atende a cerca de 200 hospitais, mesmo assim as doações diárias equivalem a 300, metade da capacidade do centro. Contudo, esse número sofre redução no carnaval e em feriados prolongados. É por isso que as campanhas não param, tentando atender principalmente as emergências dos hospitais que estão sempre precisando de sangue e o tratamento de inúmeras doenças que dependem de transfusões constantes. “Doação é tudo de bom. Eu precisei e sem ela não tinha feito minha cirurgia”, alerta a residente no Parque Maré, Jaira Pereira, de 41 anos.
HÉLIO EUCLIDES |
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| Voluntários participam de doação de sangue em sala do Hemorio no centro do Rio de Janeiro |
Para doar, o homem pode comparecer quatro vezes ao ano, e as mulheres três. Os bancos de sangue necessitam de pessoas que doem regularmente. É nessa classe que se enquadra o morador do Conjunto Pinheiro, Francisco Ricardo, de 57 anos, que doa desde 1978. “Pode ser uma vida que eu estou salvando”, diz ele. Quem por algum motivo não pode doar sangue, deve transformar-se num multi-plicador, divulgando as campanhas.
Mitos, medos e tabus
Existem alguns mitos sobre a doação, como, por exemplo, a dor,
o risco de contaminação e de infecção, o risco
de desmaio, de engordar; de emagrece ou ficar com coceira, que doar engrossa
ou afina o sangue, além de que não se pode doar menstruada.
Essas informações são irreais. Doar não engrossa
e nem afina o sangue, pois na mesma hora ele começa a renovar-se. Os
desmaios acontecem pelas pessoas irem em jejum, numa confusão com o
exame de glicose. A questão da menstruação é a
única que deve ser levada a sério, mas somente quando houver
muito fluxo, pois pode acarretar anemia. É por esse motivo que a mulher
doa menos que os homens, chegando a pouco menos de 30% do total de doadores.
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