Edição 47 - JANEIRO/FEVEIRO/MARÇO 2007
MATÉRIA ESPECIAL
Atanasio, um morador que fez história
Um alfaiate que ajudou a alinhar o início da nossa comunidade

Quando se pensa na Maré, vem logo a cabeça as construções das palafitas. Mas, poucas pessoas viveram aquele momento como seu Atanasio Amorim, de 76 anos, morador da Baixa do Sapateiro e um dos mais antigos da comunidade. “A Maré era uma parte no chão e a outra em cima d’água, e essa área tinha pontes de madeira”, conta.

Nascido no estado do Maranhão, chegou à Maré em novembro de 1954, com 23 anos. “Cheguei e passei uma longa temporada sendo um ilustre desconhecido. Depois, por influência de amigos, cheguei a ser diretor da associação de moradores. Graças a Deus sempre tive livre acesso a todas as comunidades da Maré”, comenta.

Segundo Atanasio houve um tempo em que o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) dizia que o terreno da Baixa pertencia à União. O que causou desespero nos moradores. “O que mais me preocupava, em entrar para a associação, era ficar na comunidade. Depois saiu um boletim do INPS dizendo que a área era deles e que haveria a desocupação da região. Foi aí que corri atrás. Procurei as autoridades até solucionar o problema e garantir nossa permanência no local. O INPS suspendeu o boletim e permitiu que fi-cássemos aqui, mas não como donos”, afirma.

CRISTIANE BARBALHO

O senhor Atanasio Amorim trabalhando em sua alfaiataria na Baixa do Sapateiro

Projeto Rio
O projeto Rio foi um novo drama na vida dos moradores. Ele previa a urbanização da Maré e a construção da Linha Vermelha. “Com o Projeto Rio começou tudo de novo e tivemos que ir, novamente, em busca das autoridades. Conseguimos que desviassem a construção da via expressa. As pessoas que moravam dentro d’água não tinham para onde ir mas, felizmente, deu tudo certo. A preocupação dos moradores era que, com a construção da via expressa, a favela acabasse, mas conseguimos contornar”, relata Atanasio.

Para ele, a grande vantagem do Projeto fo-ram as casas de alvenaria. “Foi o início de tu-do, na Maré, o desenvolvimento. Os becos se alargando, dando espaço às rua e os mora-dores modificaram seus barracos”, lembra.

REDE MEMÓRIA DA MARÉ

Sr. Atanasio (à direita) e a equipe da Rede Memória durante o jantar em homenagem ao Museu da Maré em Brasília

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