Edição 47 - JANEIRO/FEVEIRO/MARÇO 2007
PERFIL
Walter Fragoso Lopes
O administrador do futebol

Comunidade: Vila do João
Profissão: Chefe de Recursos Humanos
Idade: 67 anos

Para um bom futebol, é necessária uma boa organização. E na Vila do João, Walter Lopes foi a pessoa que sempre contribuiu com o esporte da comunidade. Por isso chegou a ser homenageado em maio, numa copa, realizada com o nome dele. Tudo começou em 1991, quando foi o membro da primeira diretoria do time Marajá. Daí iniciou a administração dos campeonatos e organizações dos times no Campo da Vila.

Nascido em Vila Isabel, e criado em Olaria desde criança pensava em jogar futebol, mas nunca saiu do juvenil. Segundo ele, naquele tempo ninguém queria ser profissional, o sucesso era as peladas. Em 1982, ele veio morar na recém fundada Vila do João, de onde não saiu mais. “A Vila do João é uma cidade. Eu já tive oportunidade de sair, mas eu gosto daqui, e nessa comunidade passei a melhor fase da minha vida”, revela Walter.

Quando começou o trabalho de administração, o campo era careca, sem cerca e nem tinha iluminação. Então, Walter se uniu com a associação de moradores.Mandaram vários ofícios para a Secretaria de Esporte e Lazer e a reivindicação foi parar no diário oficial. E, depois de quatro anos, as obras começaram a sair do papel. Tanta insistência, o campo ganhou melhorias como a grama sintética, os alambrados e refletores.

HÉLIO EUCLIDES
Walter Lopes passa a bola para o seu sucessor David Silva no campo de futebol na Vila do João

Casado, aposentado e pai de um casal de filhos, que lhe deram seis netos, Walter é uma pessoa feliz com tudo o que conquistou durante sua vida. Além das amizades no futebol, continua saindo todos os dias para uma transportadora em São Cristóvão, onde trabalha há 26 anos, como chefe de recursos humanos. Dessa função conseguiu ajudar mais de 50 moradores, com emprego. “Tudo que eu tenho agradeço a ele, que é uma pessoa de caráter. Ele me arrumou emprego e quando não tinha nada para comer, ele matou minha fome, não sei como recompensar”, disse William Santos, de 31 anos, hoje instrutor de futebol.

Um fato marcante para Walter foi a implantação da arbitragem comunitária. Antes eram os juizes da federação, como o Ubiraci Damásio, que vinham apitar. Era uma fortuna e os profissionais vinham com um certo medo. Para continuidade do trabalho, ele conseguiu ao longo da jornada um colaborador, que virou sucessor: David Silva. O aluno disse que aprendeu muito com Walter. Hoje é escudeiro e em muitos lugares é reconhecido como o mesário da Vila. E, por isso, tem uma gratidão eterna ao mestre.

Foram muitas histórias durante o trabalho em prol do campo. Uma foi a da sua bicicleta, que era muito emprestada e, as vezes, chegava a sumir dois dias. Quando reaparecia, descobria-se que tinham tentado vender, mas ninguém comprava pois sabiam que era do administrador. Outra foi em 2002, quando a paz permitiu que ele convidasse times de fora para jogarem nos campeonatos. E, para surpresa de todos, dois times de fora, o Unidos da Nova Holanda e o Flecha, disputaram a final.

HÉLIO EUCLIDES

Walter Lopes ergue troféu no final da copa que tem o seu nome no campo da Vila do João

Walter comenta que a idade vai chegando e, assim, ele deu lugar aos mais novos, mas que a bola continua rolando. “Futebol é emoção, e eu desenvolvi o futebol sem problema. Entre prós e contras, deixei mais a favor”, diz. Ele ainda completa que nunca ficou com dinheiro de nenhum time e que com as sobras sempre realizou churrascos e ceias de natal. “Sou respeitado por todos, pois não me envolvo com coisas erradas”, finaliza.

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