Edição 47 - JANEIRO/FEVEIRO/MARÇO 2007
PRINCIPAL
Chuvas causam transtornos na Maré
Moradores têm suas casas invadidas pela água das chuvas

"Quando chove esta rua alaga muito, vira uma piscina. Em janeiro do ano passado, a água entrou aqui no meu trayller e quase perdi meus dois freezeres”, lembra o comerciante Alexandre dos Santos, de 26 anos. Ele é um dos muitos mareenses que sofrem com as enchentes na rua Guilherme Maxwell.

Assim como outros bairros da cidade, a Maré vem sofrendo com as chuvas de verão. A água invade as casa de muitos moradores e várias ruas da comunidade ficam alagadas. As causas das enchentes são muitas. Entre elas estão a colocação de lixo fora do horário de coleta e o despejo em valões. Quando vem a chuva, o lixo entope a rede e a água que deveria escoar volta pelos valões e bueiros, misturada com mais lixo e esgoto.

A comerciante Tânia Maria Farias, de 41 anos, moradora da Vila do Pinheiro, conhece bem o problema. “Fica difícil andar aqui quando a rua enche. Cai muito o movimento na minha barraca. Aqui há locais para se jogar lixo, mas infelizmente os moradores jogam do lado do colégio. Acho isto falta de educação e respeito com o outro”, diz.

HÉLIO EUCLIDES

Durante a chuva, Kombi espalha a água, molhando pedestres e residências na Via A-1 na Vila do Pinheiro

E o poder público
Mas os alagamentos não são causados apenas pelo descuido dos moradores. A população da Maré aumentou muito nos últimos anos, mas foram feitos poucos investimentos em infra-estrutura na região. Novas comunidades, como a Tekno Parque, não apresentam um sistema de saneamento básico que comporte todo o esgoto. O número reduzido de fossas causa transtorno aos moradores. Para o comerciante Manuel de Castro, de 56 anos, o problema vem se agravando com os anos.

“Moro aqui desde 1971 e essa rua sempre encheu. A água fica toda na rua. Antigamente não acontecia com freqüência, mas, hoje, enche até o meu bar e as casas vizinhas”, diz.

Segundo o administrador regional Paulo Cunha, de 52 anos, é necessário que o saneamento básico e as tubulações de águas pluviais sejam todas refeitas dentro da comunidade. Para ele, um conjunto de fatores prejudica o morador, como o número reduzido de garis comunitários e o despejo de lixo em locais impróprios.

O crescimento do número de moradias também sobrecarrega o sistema, facilitando a ocorrência de alagamentos. Muitos moradores fazem novas ligações na tubulação de esgoto sem pedir ajuda à Cedae. Para o representante da Cedae na comunidade, Vilmar Gomes, de 42 anos, é necessário que as ligações clandestinas sejam regularizadas.

“Não há nenhuma comunidade aqui dentro que não tenha estas ligações. Os moradores deveriam enviar uma carta ao governador para pedir a troca das tubulações, já que nós só podemos fazer pequenas intervenções, como obras de até três metros”, afirma.

A opinião do morador não é diferente. Para muitos, torna-se necessário a troca das manilhas e tubulações. Dulcinéia Lima dos Santos, de 31 anos, da Nova Maré, acredita que seja necessário rever o sistema de saneamento da comunidade. “O ideal é que as manilhas sejam refeitas”, conclui.

A Maré possui apenas três elevatórias de coleta de esgoto - na Baixa do Sapateiro, na Nova Holanda e no Parque União. Para Vilmar Gomes, de 42 anos, deveria ser feita uma nova elevatória na comunidade, já que parte do Parque União não tem seu esgoto levado para a elevatória. “Uma solução seria a ligação de parte deste esgoto com a elevatória da Roquete Pinto”, diz.

FAÍSCA GELSON

Moradores ficam ilhados na Via C-11, na Vila do Pinheiro, logo após um temporal no verão de 2006

Aterramento
O processo de aterramento da região não foi acompanhado com cuidado pelo poder público, como explica o geógrafo Elmo Amador. O resultado disto a população percebe hoje. “A atuação do governo no saneamento básico na área da Maré foi tímida e os impactos dos aterros não foram considerados pelo poder público. Sem dúvida, os sucessivos aterramentos provocaram o levantamento do fundo de algumas áreas dificultando a circulação da água, sendo isto um dos principais responsáveis pelas inundações na região”, resume o geógrafo.

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